Catarina de Brasov: o verdadeiro amor de Drácula

Detalhe de “A Contemplação “, de Ignace Spiridon, 1899-1900. © Wikimedia Commons

Vlad Tepes (1431-1477), governante da Valáquia, foi a inspiração para a criação do vampiro mais famoso da literatura ocidental. O livro ‘Drácula’, escrito pelo irlandês Bram Stoker (1847-1912), foi publicado pela primeira vez em 1897 e segue até os dias de hoje fascinando gerações de leitores e inspirando inúmeras obras cinematográficas, mas poucos sabem quem foi o homem por trás do mito e muito menos a identidade de seu grande amor.

Em meio a críticas e manifestações de admiração por seus atos contra os inimigos Vlad Tepes, que viveu em meados do século XV, teve uma vida tortuosa e condizente com o contexto social no qual estava inserido. Vlad Tepes nasceu entre novembro e dezembro de 1431 em Segesvár, na atual Romênia, e ainda muito jovem foi enviado para a corte do Sultão Murad II (1421-1451) do Império Turco Otomano. Após a morte de seu pai Vlad II Dracul (1390-1447) e de seu irmão mais velho Mircea (1428-1447) Vlad regressou a sua terra natal e conquistou o trono da Valáquia, foi nesse momento que conheceu Catarina de Brasov.

Existem várias versões para o primeiro encontro do casal. A mais conhecida afirma que Vlad Tepes conheceu o seu grande amor quando auxiliou um grupo de jovens a transportar um trenó cheio de suprimentos para seus soldados em meio a uma nevasca. Catarina estaria entre as jovens. A partir de então Vald não tirou os olhos da loira de olhos azuis. Logo começou a cortejá-la e descobriu que era filha de Thomas Sigmed-Siegal, um comerciante de Brasov, que ensinava aos aprendizes as artes têxteis. Com essas informações em mãos Vlad não perdeu tempo e conseguiu localizar a sua residência.

Em dentro de pouco tempo o voivoda começou a frequentar o lar da família e deu inúmeros presentes a Catarina. Em pouco tempo eles se tornaram amantes. Catarina deu à luz cinco filhos: Vladislav (1456), Catarina (1459), Cristiano (1461), Hanna (1453) e Sigismundo (1468). O romance, no entanto, não passou despercebido aos olhos da população e principalmente dos pretendentes de Catarina, que acabaram se rebelando contra Vlad. Em 30 de abril de 1459, suspeitando de uma conspiração, Vlad lançou um ataque a um grupo de comerciantes na fortaleza de Corona. Durante o massacre, ele soube de uma notícia que o enfureceu: as esposas dos comerciantes haviam atacado a família Siegel.

A principal vítima obviamente foi Catarina, que acabou sendo espancada e teve os longos cabelos dourados cortados. Para piorar a situação Catarina também foi amarrada ao chamado Pilar da Infâmia, na Praça do Conselho de Brasov. Para libertá-la e acalmar os ânimos Vlad ordenou que todos os comerciantes suspeitos de conspiração fossem libertados, mas antes ameaçou colocar fogo nos moradores de Brasov por tudo o que Catarina sofrerá.

No verão de 1460 Vlad Tepes se correspondeu com o Papa Pio II (1405-1464). Ele solicitava ao sumo pontífice da Igreja Católica uma carta de indulgência para anular seu casamento com sua primeira esposa Anastasia Maria Holszanska, que era sobrinha de Sofia de Halshany (c. 1405-1461), Rainha consorte da Polônia. De qualquer maneira ele não precisou da permissão papal. Em meados de 1462 Anastásia se atirou de uma torre do alto do Castelo Poenari, que estava sob ataque dos turcos otomanos, os piores inimigos de seu marido. Viúvo Vlad agora tinha o caminho livre para desposar Catarina.

Porém, devido a uma trama o voivoda terminou na prisão sob ordens do Rei Matias I da Hungria (c. 1443-1490). O momento exato do cativeiro de Vlad não é conhecido com exatidão e na verdade parece ter sido bastante curto. Segundo alguns pesquisadores ele foi libertado apenas com uma condição. Deveria se casar com Ilona Szilágyi (c. 1455-1497), que era prima de Matias I da Hungria. Ao aceitar a imposição Vlad perdeu a única oportunidade de formalizar o seu relacionamento com Catarina, mas em troca ganhou a liberdade.

Por fim, o assassinato do voivoda em 2 dezembro de 1476 durante uma batalha encerrou a história de amor envolvendo Vlad e Catarina, que provavelmente permaneceu relativamente presente na vida de Vlad Tepes até os seus últimos dias. Após a morte do guerreiro, aos 39 anos de idade, ela teria retornado ao convento onde passou parte da juventude para viver em paz até sua morte.

A história de Catarina din Corona ou Catarina de Brasvo e Vlad Tepes se tornou pública graças as achados da pesquisadoras Diana-Bertha Krausser, uma pesquisadora especialista em história medieval. Depois de explorar os Arquivos Públicos de Brasov ela concluiu que o caso amoroso foi abafado no século XVII devido aos pudores da Reforma Luterana que influenciavam a região dos bálças.

Esta matéria deu origem ao seguinte vídeo:

Fontes:

Mistress of Dracula – Katharina of Brasov. Disponível em: <http://romaniatravelblog.com/mistress-of-dracula/>. Acesso em: 12. dez. 2018.

The Hotel – Vila Katharina Boutique Hotel. Disponível em: <http://www.vilakatharina.ro/en/the-hotel/>. Acesso em: 12. dez. 2018.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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