‘Legítimo Rei’: a verdadeira história de Black Douglas

Aaron Taylor-Johnson como James Douglas. Estátua do Lorde de Douglas na Scottish National Portrait Gallery.

Personagem de ‘Legítimo Rei’, filme dirigido por David Mackenzie, para os escoceses James Douglas ele era conhecido como Good Sir James Douglas. Para os ingleses, o leal aliado de Robert Bruce, era conhecido sinistramente como Black Douglas, devido a sua ferocidade no campo de batalha.

James Douglas nasceu em 1268 em Lanarkshire, Escócia. No seio de uma família leal à coroa escocesa. Seu avô foi morto ao lado de William Wallace em 1305 e seu pai William Douglas foi assassinado em uma prisão inglesa quando James tinha cerca de 12 anos. 

O jovem James foi enviado à França para sua segurança no início das Guerras da Independência Escocesa e foi educado em Paris, onde se tornou escudeiro de William Lamberton, bispo de St. Andrews. Quando retornou a Escócia descobriu que havia perdido suas terras.

Elas foram concedidas pelo rei inglês Eduardo I ao nobre inglês Robert Clifford.

Depois que Robert Bruce matou John, o Red Comyn em fevereiro de 1306 na Igreja dos Frades Cinzentos em Dumfries, se conta que Douglas o encontrou na estrada perto de Moffat e ofereceu-se para lutar ao lado dele. Teve assim início uma guerra de guerrilha contra os ingleses.

Em 1307, Douglas atacou a guarnição inglesa que estava na sede de sua família no Castelo de Douglas. Como era domingo de ramos, a maioria dos soldados estava assistindo missa na capela quando os escoceses atacaram, entrando na igreja com o grito de guerra ‘Douglas!’

Um grande massacre conhecido como ‘Douglas Larder‘ se seguiu, onde as cabeças dos ingleses foram decapitadas e expostas em cima de barris de vinho. Foi uma tomada astuta e brutal do lar de sua família, que lhe rendeu uma grande fama.

Em fevereiro de 1314 Douglas e seus homens tomaram de surpresa o quase inexpugnável Castelo de Roxburgh, próximo da fronteira com a Inglaterra. Em junho do mesmo ano Douglas lutou ao lado de Robert Bruce na Batalha de Bannockburn, onde os escoceses saíram vitoriosos.

Após a batalha, se conta que Douglas perseguiu o derrotado Eduardo II tão de perto que o monarca inglês não ousou parar em nenhum momento temendo ser capturado. Tal história só fez a lenda de Douglas aumentar e ele passou a ser visto como um demônio pelos inimigos.

Após a estrondosa vitória Douglas foi autorizado por Robert Bruce a assediar a fronteira inglesa queimando plantações e aldeias e aterrorizando a população local. Em abril de 1318, ele foi fundamental para capturar Berwick dos ingleses.

Era primeira vez que o castelo e a cidade estavam nas mãos dos escoceses desde 1296.

A medida que o poder de Robert Bruce ia se consolidando e conforme as vitórias contra os ingleses aumentavam Douglas foi se tornando um dos homens mais poderosos do reino escocês e assumiu funções políticas.

Em 1318 ele foi nomeado Guardião do reino da Irlanda, que havia sido invadido por Edward Bruce, irmão do rei escocês. Em setembro do ano seguinte Douglas e o conde de Moray atacaram e derrotaram os ingleses em Yorkshire enfraquecendo os inimigos.

Em represália 4 anos depois, Eduardo II atacou Edimburgo. Em resposta Bruce deu início a uma campanha de terra arrasada queimando plantações e envenenado poço obrigando os ingleses a recuar devido a falta de recursos.

Finalmente em outubro de 1322 Douglas lutou ao lado de Robert Bruce e do conde de Moray na Batalha de Old Byland onde cercaram e derrotaram os ingleses. Para salvar suas vidas Eduardo II e sua rainha Isabel de França foram obrigados a fugir.

Porém, a maior humilhação dos ingleses teve lugar na noite de 4 de gosto de 1327 quando Douglas e cerca de 200 homens atacaram o acampanemo dos ingleses, que haviam se recusado a partir para a batalha devido a boa posição dos escoceses.

Sob o tradicional grito “Douglas! Douglas!” os escoceses mataram centenas de ingleses, e de acordo com as crônicas chegaram perto de capturar o sucessor de Eduardo II, seu jovem filho Eduardo III que estava em seu primeira campanha e chorou pela derrota.

Finalmente em 7 de junho de 1329 Robert Bruce faleceu em Cardross. Logo depois Douglas e dezenas de cavalheiros partiram para o Santo Sepulcro em Jerusalém onde o coração do rei escoceses seria depositado por seu próprio pedido em forma de penitencia.

Porém, ao longo do caminho Douglas e se seus homens tiveram notícia de que o rei Afonso XI de Castela estava montando uma cruzada contra os muçulmanos de Granada e decidiu se juntar a luta. Em 25 de agosto de 1330 Douglas morreu no campo de batalha em Tebas.

No meio da luta e abandonado por seus aliados se diz que o cavalheiro mais temido da Escócia teria jogado o coração de seu grande amigo diante dele e gritado “Vá primeiro, como sempre fez” e acrescentado “e Douglas o seguirá ou morrerá.

Os seus restos mortais foram levados de volta à Escócia por Sir William Keith e depositados na Igreja de St. Bride, em Douglas, Lanarkshire, terra onde havia nascido 44 anos antes. Seu corpo descansa neste local até os dias de hoje.

Por sua vez, o coração de Bruce foi enterrado solenemente sob o altar-mor da Abadia de Melrose.

Fontes:

James the Black Douglas. Disponível em: <http://www.englishmonarchs.co.uk/bruce_12.html>. Acesso em: 25. mar. 2019.

James ‘the Black’ Douglas: The Most Feared Knight in Scottish History. Disponível em: <https://castlehunter.scot/blog/james-the-black-douglas-the-most-feared-knight-in-scottish-history/>. Acesso em: 26. mar. 2019.

Robert the Bruce’s Heart. Disponível em: <https://www.atlasobscura.com/places/robert-the-bruces-heart>. Acesso em: 26. mar. 2019.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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