Fawzia Fuad do Egito, a vênus trágica (1921-2013)

Retrato de meio corpo de Fawzia Fuad do Egito, primeira esposa do Xá Mohammed Reza Pahlevi do Irã, em Teerã, por Cecil Beaton em 1942. © Wikimedia Commons

Durante a sua juventude Fawzia Fuad do Egito (1921-2013) foi considerada uma beldade pela imprensa mundial. Nascida como princesa do Egito foi imperatriz consorte do Irã como esposa do Xá Mohammad Reza Pahlavi (1919-1980), de quem foi a primeira das três esposas.

Primeiros anos e casamento

Fawzia Fuad nasceu em 5 de novembro de 1921 no Palácio Ras el-Tin na milenar cidade de Alexandria, no Egito. Ela foi a segunda dos cinco filhos do Sultão Fuad I do Egito e Sudão (1868-1936) e sua segunda esposa Nazli Sabri (1894-1978). Fawzia foi educada na Suíça e recebeu uma melhor instrução que podia receber. A princesa era fluente em inglês e francês e aos 17 anos de idade foi vista como a candidata ideal para se casar com o Príncipe Mohammad Reza Pahlavi do Irã.

A aliança foi fortemente apoiada por Aly Maher Pasha (1882-1960), o principal conselheiro político do Sultão Fuad I. Sendo assim, após uma série de negociações diplomáticas o Egito e o Irã selaram uma aliança e o compromisso entre os dois jovens foi fechado em 1938. Fawzia Fuad e Mohammad Rez a se conheceram um mês antes do casamento, que foi celebrado em 15 de março de 1939, no Palácio Abdeen, no Cairo, atual capital do Egito.

Após as faustosas celebrações os recém-casados se mudaram para o Palácio Qajar, em Teerã, no Irã. Fawzia Fuad viajou para seu novo país com mais de duzentas malas e inúmeras joias. Ela foi recebida com entusiasmo no aeroporto por seu sogro, o Xá Reza Shah (1878-1944). Além das boas vindas do sogro Fawzia Fuad também foi acolhida com grandes festividades que eram embaladas pela empolgação popular. Todavia, sua vida familiar não seria muito feliz.

No Irã Fawzia se sentia sozinha e tinha muita saudade do Egito. Ela também era incapaz de aprender a língua persa de modo que só se comunicava com o marido e com os criados em francês. Ela também não manteve boas relações com sua sogra, a Rainha Tadj ol-Molouk (1896-1982), e com suas cunhadas as Princesas Shams Pahlavi (1917-1996) e Ashraf Pahlavi (1919-2016), com quem disputava as atenções do marido.

Para piorar as coisas rumores de infidelidades de Mohammad começaram a circular. Finalmente, após nove anos de casamento, em 27 de outubro de 1940, Fazwia deu à luz sua única filha com o primeiro marido, a Princesa Shahnaz Pahlavi (1940-). Apenas um ano depois o Irã foi invadido por ingleses e russos durante a Segunda Guerra Mundial. O Xá Reza Pahlavi, que havia defendido a neutralidade do seu país, se viu obrigado a abdicar do trono e assim Mohammad e Fazwia se converteram nos novos soberanos do Irã.

Imperatriz do Irã

De maneira quase imediata a imprensa internacional destacou a beleza da nova imperatriz do Irã, que se tornou uma das mulheres mais famosas do mundo. O fotógrafo britânico Cecil Beaton (1904-1980), que também foi responsável por fotografar a Rainha Elizabeth II do Reino Unido (1926-), a apelidou de “Vênus da Ásia“, após fotografá-la para a capa da revista Lifede 21 de setembro de 1942.

Enquanto o novo xá dedicava seu tempo aos assuntos de Estado Fazwia Fuad em dentro de pouco tempo deixou de cumprir seus compromissos oficiais. Até onde se sabe estava depressiva, se recusava inclusive a participar de eventos de caridade, pelos quais tinha um grande afeto. Logo o isolamento da soberana se tornou motivo de falatório tanto na corte egípcia quanto na corte iraniana. O relacionamento entre o xá e Fazwia também esfriou e ele deixou de frequentar a cama da esposa.

Divórcio e regresso a terra natal

Finalmente em 1948 Fawzia deixou Teerã, com a desculpa de tratar de sua saúde. Embora Mohammed Reza tenha tentando persuadir a esposa a voltar para o Irã diversas vezes não teve sucesso. Ninguém sabe ao certo quem foi o responsável por pedir o divórcio, mas a maioria dos pesquisadores afirmam que foi a princesa egípcia, que pagou um preço caro por isso, pois foi obrigada a deixar a filha para trás para que a mesma fosse criada no Irã ao lado do pai.

Todavia, o drama pessoal de Fawzia Fuad não terminou com o fim de seu casamento. Em 1952 a Dinastia Mohammad Ali foi destituída pela Proclamação da República no Egito. Sua mãe, a Rainha Nazli Sabri acabaria morrendo na obscuridade num pequeno quarto em Westwood, o bairro mais pobre de Los Angeles, nos Estados Unidos. Já sua irmã caçula, a Princesa Fathia Ghali (1930-1976), acabou sendo morta a tiros pelo marido durante uma crise de ciúmes. Embora essa história não seja confirmada os boatos de assassinato ressoaram pela imprensa estadunidense.

Em março de 1949 Fawzia Fuad se casaria novamente com o coronel do exército Ismail Cherine Bey (1919-1994), de origem aristocrática. Ela passaria a maior parte de seu tempos entre as suas residências em Maadi e Smouha, no Egito. Ao longo de seu casamento de quarenta e cinco anos ela geraria mais dois filhos, uma menina chamada Nadia Ismail Chirine (1950-2009) e um menino chamado Husain Cherine Effendi (1955-).

O Xá Mohammad Reza Pahlavi, por sua vez, em 12 de fevereiro de 1951 se casou novamente com Soraya Esfandiary-Bakhtiari (1932-2001), que foi incapaz de lhe dar um filho varão. Oito ano depois em 20 de dezembro de 1959 o monarca contraiu matrimônio novamente com a estudante Farah Diba (1938-), com quem teria quatro filhos. O xá faleceu no exílio em 27 de julho de 1980. Fawzia Fuad faleceu décadas depois, em 2 de julho de 2013 aos 91 anos de idade.

Fontes:

Fawzia Fuad, la ‘Venus de Asia’. Disponível em: <https://www.hola.com/realeza/2015082880615/fawzia-fuad-venus-de-asia/>. Acesso em: 10. jul. 2019.

Los grandes amores de sha de Irán. Disponível em: <https://www.vanidades.com/realeza/grandes-amores-sha-iran-2/>. Acesso em: 10. jul. 2019.

BÁRCENA, Eva. Fawzia de Egipto, ‘la Venus de Asia’ con la que nació la maldición del Sha de Persia. Disponível em: <https://www.abc.es/estilo/gente/abci-fawzia-egipto-venus-asia-nacio-maldicion-persia-201803150125_noticia.html>. Acesso em: 10. jul. 2019.

Mitad reina, mitad prisionera: la vida de la reina Nazli de Egipto. Disponível em: <https://secretoscortesanos.com/2017/07/27/mitad-reina-mitad-prisionera-la-vida-de-la-reina-nazli-de-egipto/>. Acesso em: 10. jul. 2019.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

2 comentários em “Fawzia Fuad do Egito, a vênus trágica (1921-2013)

  1. Nossa, fico arrepiado com essas histórias que vem com uma maldição, isso me lembra a histórias das sete irmãs sutherland, adoraria ler sobre elas em seu blog.

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