Os chocantes crimes de Luísa de Jesus, serial killer portuguesa

Detalhe de ‘A Bruxa’, de Jean-François Portaels, 1845-90. © Wikimedia Commons

Os atos de Luísa de Jesus (1750-1772), apontada como a primeira assassina em série portuguesa, foram tão atrozes que ela ficou conhecido por ser a última mulher a receber a pena de morte em Portugal. Em finais do século XVIII, em busca de compensação financeira, ela tirou a vida de pelos trinta e três bebês com as próprias mãos chocando a sociedade.

Apesar de ser considerada, por alguns pesquisadores, como a primeira primeira assassina em série de Portugal Luísa de Jesus segue sendo até os dias de hoje como uma personagem enigmática. Sabemos que ela nasceu em dezembro de 1748 em Figueira do Lorvão, e era filha de Manoel Rodrigues e Marianna Rodrigues.

Luísa pertencia a classe baixa e trabalhava como recoveira, ou seja, transportava mercadorias. Conta-se que foi justamente esse trabalho que lhe deu oportunidade de ir buscar bebês na Casa da Roda de Coimbra, onde crianças indesejadas eram deixadas por mães que não tinham condições de cria-las.

Na época a Roda dos Enjeitados constituía em um dispositivo de madeira cilíndrico, dividido ao meio e giratório, onde se colocavam os bebês e em seguida se tocava uma sineta para avisar que uma criança estava à espera. Os dispositivos eram sempre instalados em conventos e hospitais, onde enfermeiras e religiosas se encarregariam de cuidar dos mesmos.

Como uma espécie de incentivo para as famílias que pretendiam adotar as crianças a Casa da Roda de Coimbra oferecia uma quantia de cerca de 600 réis, um enxoval e um meio metro de um tecido grosso de algodão. Luísa “adotou” em nome de outras pessoas cerca de trinta e três bebês, mas suas intenções não eram das melhores. Quando ela se encontrava sozinha com as crianças Luísa as asfixiava. Logo depois se dirigia ao Monte-Arroio, situado a pouco metros perto da Roda de Coimbra, onde os enterrava.

Ninguém sabe ao certo o que levou Luísa de Jesus a dar início a sua série de crimes brutais. Até onde sabemos ela teve uma infância saudável e não foi vítima de maus-tratos, algo que, em algumas ocasiões, torna algumas pessoas propensas a desenvolver psicopatia. Se especula que ela provavelmente matava crianças inocentes em busca da compensação financeira, algo que assombra até os dias de hoje as pessoas que tomam conhecimento de seus crimes.

Os crimes de Luísa de Jesus chegaram ao fim em 1 de abril de 1772, quando a Freira Angélica Maria tropeçou num cadáver que estava mal enterrado no Monte-Arroio. Durante as escavações dois bebês foram encontrados. Em seus pescoços haviam marcas de estrangulamento. Luísa logo foi considerada a principal suspeita do caso. Sob interrogatório, em 6 de abril, com uma grande frieza ela confessou ter assassinado os três bebês encontrados.

Mesmo com a confissão de Luísa o caso não se deu como encerrado e as autoridades decidiram prosseguir com a investigação. Em dentro de pouco tempo descobriu-se que Luísa dava endereços e nomes falsos para a Casa da Roda de Coimbra. Nunca nenhum bebê chegou às mãos das famílias que supostamente iriam adotá-los. Devido à grande confiança que a ama Margarida Joaquina, e que a diretora da Roda Leocádia Maria da Conceição, depositavam na jovem as informações que ela repassava nunca eram confirmadas. As duas mulheres acabaram sendo presas pelo o que hoje chamaríamos de ‘negligência criminosa’, mas acabaram sendo soltas logo depois.

Aparentemente Luísa conseguiu ludibriar todas as pessoas as suas voltas, até o ponto do advogado Pascoal Luís Ferreira da Silva, responsável por registrar as certidões dos recém-nascidos no cartório, atestar a veracidade dos dados fornecidos pela assassina. Ele também foi preso, mas foi solto logo depois devido à falta de provas de seu envolvimento nos crimes.

Enquanto isso as escavações no Monte-Arroio continuavam e descobertas chocantes eram feitas. Em 18 de abril Luísa confessou ter matado mais sete crianças, ou seja, dos quinze bebês encontrados no Monte a assassina em série confessou ter matado nove bebês, mas negou a morte das outras quatro crianças. Porém, o pior estava por vir. Quando buscas foram feitas na casa de Luísa foram encontrados mais dezoito corpos de bebês, dos quais dez estavam enterrados e oito desmembrados em potes.

Sendo assim as autoridades descobriram ao total trinta e três cadáveres, porém no registro da Casa da Roda de Coimbra consta que Luísa “adotou” trinta e quatro crianças. O paradeiro da 34º criança nunca foi revelado.

Finalmente em 1 de julho do mesmo ano Luísa de Jesus recebeu uma sentença severa. Ela foi condenada a percorrer as ruas com uma corda no pescoço, enquanto seus crimes eram lidos em voz alta para a multidão que a cercava. Ela também foi queimada com uma tenaz em brasa, logo depois suas mãos foram decepadas. Finalmente Luísa morreu no garrote. O seu cadáver foi queimado. Ela tinha apenas 22 anos de idade.


Esta matéria deu origem ao seguinte vídeo:


Fontes:

NATÁRIO, Anabela. Luísa de Jesus confessou ter assassinado 28 crianças. Talvez seja a única “serial killer” portuguesa. Disponível em: <https://expresso.pt/sociedade/2016-09-19-Luisa-de-Jesus-confessou-ter-assassinado-28-criancas.-Talvez-seja-a-unica-serial-killer-portuguesa>. Acesso em: 20. nov. 2019.

CASTRO, Pedro Jorge. As mulheres que Portugal condenou à morte. Disponível em: <https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/as-mulheres-que-portugal-condenou-a-morte>. Acesso em: 20. nov. 2019.

DA SILVA, João Naia Luísa de Jesus – A ultima mulher enforcada em Portugal. Disponível em: <https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=22000202>. Acesso em: 20. nov. 2019.

LOPES, Maria Antónia. Mulheres condenadas à morte em Portugal: de 1693 à abolição da pena última. Disponível em: <https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/37193/1/Cap%C3%ADtulo%206-%20Mulheres%20condenadas%20%C3%A0%20morte%20em%20Portugal.pdf>. Acesso em: 20. nov. 2019.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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