A insólita história de Giulia Tofana, a serial killer de maridos

Detalhe de “Poção da rainha Bonna”, de Jan Matejko, 1859. © Wikimedia Commons

Apesar de ser desconhecida do grande público a italiana Giulia Tofana (?-1659), que viveu na Itália no século XVII, é considerada por muitos historiadores como a assassina em série mais prolifera da história, ultrapassando o número de crimes cometidos por delinquentes como Charles Menson (1934-2017). Saiba tudo sobre ela a seguir.

De maneira geral, as mulheres ao longo da história tiveram pouco controle sobre suas vidas. Apesar de algumas figuras terem se destacado ao longo dos séculos, como rainhas, imperatrizes, guerreiras, religiosas, artistas e escritoras as mulheres tinham muito pouco poder financeiro, social ou político nos séculos passados.

As mulheres nobres eram tratadas como propriedade por seus pais e seus casamentos eram usados para intermediar negócios e alianças diplomáticas enquanto as mulheres pobres estavam frequentemente presas em casamentos abusivos, enquanto ainda tinham que batalhar pelos seus sustentos e cuidados dos filhos sozinhas.

Por vezes, a única maneira de uma mulher se livrar de um casamento ruim era a viuvez e foi justamente essa situação que possibilitou que Giulia Tofana se tornasse provavelmente a assassina em serie mais prolifera da história italiana. Apesar de sua trajetória ser interessante, e ao mesmo tempo sombria, temos poucas informações confiáveis sobre essa enigmática personagem.

Quem foi Giulia Tofana?

Nascida em Palermo, na Itália, no início do século XVII, em data incerta, Giulia Tofana foi descrita muito bonita, assim como sua mãe Thofania d’Adamo, que foi executada em 12 de julho de 1633 por supostamente matar o marido envenenado. Se conta que Giulia passou muito tempo em companhia de boticários enquanto eles criavam suas poções aprendendo com eles, e com sua mãe, suas primeiras lições sobre venenos.

Todavia, o que se sabe, de fato, é que Giulia se tornou uma envenenadora profissional ajudando mulheres infelizes a obter “divórcios” precoces. De acordo com sua confissão ela abriu seu negócio em 1633. Graças a qualidade de seus serviços ela rapidamente adquiriu uma grande clientela. Sua principal invenção foi a Aqua Tofana – um veneno indetectável que matava – e mata até hoje – até o homem mais robusto.

Sua composição exata é ainda hoje desconhecida pela ciência, mas se sabe que o arsênico, a beladona e o chumbo estão presentes na mistura; ingredientes que também eram usados nos cosméticos da época. A Aqua Tofana não tinha cheiro e nem sabor, o que tornava o envenenamento difícil de ser detectado, tanto em vida quanto em morte, o que facilitava os assassinatos. De maneira corriqueira a explicação mais comum para os envenenados com a Aqua Tofana era mau súbito.

Giulia distribuía o seu “produto” de duas formas: disfarçado de maquiagem em pó ou escondido em pequenos frascos exibindo imagens de São Nicolau de Mira (270-343). A envenenadora atendeu suas clientes entre 1633 e 1651 em Palermo, Nápoles e Roma. Com a ajuda de sua filha, Girolama Spera, se calcula que ela teria sido responsável indiretamente pelo assassinato de cerca se seiscentos homens.

Escândalo público

Em 1659 as atividades de Giulia foram finalmente descobertas, graças à indecisão de uma cliente, que impediu, no último momento, que o marido ingerisse uma sopa envenenada. O homem desconfiado exigiu saber o porquê a quase assassina então revelou os detalhes de sua trama, incluindo o nome de sua fornecedora. Caçada, a partir de então, pela polícia Giulia teria se escondido numa igreja, mas acabou sendo capturada por um turba furiosa que clamava por justiça.

Sob tortura das autoridades papais Giulia confessou ter matado centenas de homens. Ela também forneceu os nomes de seus clientes e colaboradores tornando o caso um verdadeiro escândalo na época. Giulia Tofana e sua filha, juntamente com seus colaboradores, foram executados em julho de 1659 no Campo de Fior. Se alega que seu corpo teria sido devolvido para a igreja que a abrigou.

A liste de clientes de Giulia Tofana era longa. Os mais influentes e ricos conseguiram se livrar das acusações, enquanto os menos sortudos ou inteligentes foram encerrados em masmorras. Embora algumas pessoas discordem do fato de Giulia e suas clientes usarem o assassinato como única opção para se livrarem de maridos, que alegavam ser abusivos, outros elevam Giulia ao status de justiceira social.

Qual é a sua opinião sobre o caso? Deixe nos comentários!

Fontes:

HARVEY, Ian. The Most Prolific Female Assassin in History. Disponível em: <https://www.thevintagenews.com/2018/10/22/giulia-tofana/>. Acesso em: 2. out. 2019.

TILSTRA, Elisabeth. The Deadly Elixir of Giulia Tofana. Disponível em: <https://the-line-up.com/giulia-tofana>. Acesso em: 2. out. 2019.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

8 comentários em “A insólita história de Giulia Tofana, a serial killer de maridos

  1. Na verdade, em verdade, essa mulher, como a maioria das mulheres dessa época, viviam em situações de muita pressão e exploração subhumana. A hipocrisia das sociedades mais antigas fizeram muitas vítimas se tornarem aquilo que na sua natureza original não eram, nesse caso, assassina.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Eu acredito que se tivesse sido ao contrário. Se um homem tivesse matado 600 mulheres não teria sido um crime tão “horrível”. Naquela época as mulheres eram vistas como objetos que apenas serviam para lavar,cozinhar e ter filhos então no meu ver ela não estava errada, nem ela nem as esposas e no fundo acho que ela não era uma assassina talvez ela apenas queria lutar por direitos humanos contra abusos e talvez a forma mais certeira era os assassinatos.
    “Acho que consegui me expressar, espero que interpretem bem o meu comentário”
    Att:Taina Pereira

    Curtido por 1 pessoa

  3. Olá Adinalzir Pereira Lamego agradeço imensamente o fato de você ter republicado o meu artigo sobre Giulia Tofana. Fico feliz também que você tenha comentado na postagem. Agredeço por ter deixado sua visão, obrigada pelo “excelente postagem”.

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  4. Estou abismada com os comentários desse artigo. Acham que, apenas por “ser mulher” ela “estava certa em matar”? Pensem bem no que estão dizendo!!! Um psicopata é um psicopata, não importa o sexo. Caiam na real. Daqui a pouco será considerado “bonitinho” uma mulher matar um homem… Deus do céu, tenha piedade dessa geração de loucos!!! Minha mãe nasceu em 1929, casou-se aos 17 anos, teve oito filhos, dois maridos, trabalhou sem parar com ambos. Quando o primeiro marido se mostrou muito afeito ao álcool, ela simplesmente se separou e foi viver a vida dela… mas disse que, no fundo, se arrependia muito em ter deixado o esposo, pois ele sempre foi carinhoso com ela. O problema era o álcool, não porque ele se tornasse violento, mas apenas porque saía com os compadres e voltava tarde em casa.

    Acham que ela se gabava por ter se separado e se tornado “livre”??? Jamais. Mesmo tendo se casado dois anos depois com meu pai, com quem viveu pelo resto de seus dias. Ela nunca deu bola pra essa idiotice de ‘feminismo’, nem nunca disse “odiar a opressão masculina”, porque no fundo a tal opressão nunca existiu. O que sempre existiu, desde desde sempre, é a opressão da VIDA. Quem está vivo, está sujeito a ser oprimido, seja por dificuldades financeiras, doenças, conflitos com amigos, familiares, colegas, vizinhos, políticos, trabalho, falta de sorte, oscilações de humor, etc. etc. etc.

    NUNCA haverá um único ser humano que nasça e morra sem se sentir OPRIMIDO pela própria VIDA.

    Feminismo ensina isso, “a mulher tem direito de matar o homem, porque esse é ‘opressor'”. Leiam mais livros de história. A farsa do ‘empoderamento’ só serve para isso: disseminar a androfobia e incentivar brigas entre os sexos.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Meu querido, eram epocas diferentes, a mulher não podia se separar, muitas vezes ela nem se quer escolhia quem ela se casaria, pra alguem com tanto peito, conhecimento passa longe.

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