A conturbada vida de Mary Stuart (1542-1589)

Mary Stuart, em retrato de François Clouet, c. 1558. © Wikimedia Commons

Mary Stuart (1542-1589) protagonizou uma vida conturbada. Após a morte inesperada do pai se tornou rainha ainda bebê e viu o seu governo ser sabotado em diversas ocasiões e lidou com homens ambiciosos. Porém, nada foi tão impactante como sua própria morte.

Início de vida turbulento

Mary Stuart nasceu em 8 de dezembro de 1542 no Castelo de Linlithgow. Ela era filha do Rei James V da Escócia (1512-1542) e de sua segunda esposa Maria de Guise (1515-1560) . Antes do nascimento de Mary a rainha havia dado à luz dois meninos, que morreram ainda jovens.

Com apenas 6 dias de vida Mary se tornou rainha após James V ser vítima de um ataque de nervos após ser derrotado na Batalha de Solway Moss. A Escócia passava por um momento difícil. Era atacada pelos ingleses e o protestantismo crescia dentro do país.

Para salvaguardar a pequena rainha dos ataques ingleses Maria de Guise arquitetou um acordo político com a França. Assim em 1548 Mary Stuart passou a residir na corte parisiense. Enquanto isso a Escócia era governada por Jaime Hamilton,  2.° Conde de Arran (c. 1516-1575), o regente oficial.

Retorno a Escócia

Em dezembro de 1560 Mary ficou viúva com apenas 16 anos. Após a morte inesperada de seu sogro, o Rei Henrique II de França (1519-1559), em uma justa Mary havia se tornado rainha consorte de França. Mas agora deveria voltar ao seu país de origem. Em agosto de 1561 desembarcou na Escócia.

Jovem e inexperiente a rainha não conhecia praticamente nada do país que passaria governar. Desde o primeiro momento Mary teve de lidar com a poderosa Inglaterra, para quem os escoceses representavam um incômodo permanente.

Como bisneta de Henrique VII de Inglaterra (1457-1509), através de sua avó paterna Margarida Tudor (1489-1541), Mary tinha direitos sobre a coroa inglesa representando assim uma grande ameaça para a sua prima, a Rainha Elizabeth I (1533-1603), que temia um levante dos católicos de seu país em nome de Mary.

Anteriormente os ingleses através do chamado Rude Cortejo, haviam pressionado os escoceses a casar Mary Stuart com Eduardo Tudor (1537-1553), então Príncipe de Gales e filho de Henrique VIII de Inglaterra (1491-1547) com sua terceira, unindo assim as coroas escocesa e inglesa, mas o acordo foi quebrado pelo Parlamento Escocês.

Em 1565 Mary decidiu que era hora de se casar. O escolhido foi seu primo inglês Henrique Stuart, Lorde Darnley (1545-1567). Logo depois, em junho do ano seguinte, a rainha deu à luz um filho chamado James (1566-1625), que devido ao fato de ser filho de um inglês tinha uma reivindicação ainda mais forte ao trono da Inglaterra.

Em 10 de fevereiro de 1567 Lorde Darnley foi assassinado. O rei consorte e um de seus criados foram encontrados mortos e estrangulados nos jardins de Kirk o ‘Field, após uma explosão acontecer na residência. Não sabemos quem foi o autor do crime.

Terceiro casamento e queda

Logo depois desse acontecimento nebuloso Mary se casou com o Jaime Hepburn (c. 1534-1578), 4.º Conde de Bothwell . A cerimônia teve lugar em 15 de maio do mesmo ano no Palácio de Holyrood. Nem mesmo o fato de Bothwell já ser casado atrapalhou a união, uma vez que um divórcio foi emitido as pressas.

O casamento ultrajou a todos. Os nobres em dentro de pouco tempo se rebelaram e aprisionaram Mary a forçando a abdicar em favor de seu filho. No ano seguinte, Mary escapou de sua prisão, mas foi forçada a fugir através da fronteira com a Inglaterra após a derrota de seus apoiadores na Batalha de Langside.

Desesperada Mary buscou refugiou na Inglaterra onde encontrou o seu trágico fim. Mary foi imediatamente presa pela Rainha Elizabeth I e passou os dezenove anos seguintes residindo em diversos castelos. As duas nunca se encontraram pessoalmente.

Com o passar do tempo Mary acabou se tornando um foco para conspirações católicas que pretendiam destronar Elizabeth I. Finalmente, em 1587, a rainha inglesa decidiu dar um fim a vida da rival e assinou o documento de execução de sua prima.

Preparação para o fim trágico

George Talbot (c. 1522/8-1590), 6° Conde de Shrewsbury e Henrique Grey (1541-1615), 6.° Conde de Kent foram os homens responsáveis de informar a rainha escocesa da notícia trágica. Mary ouviu tudo com muita tranquilidade, como se já esperasse pelo evento. Ela apenas pediu tempo para se preparar e a presença de um padre católico. Ambos pedidos foram negados.

Na noite que antecedeu sua execução Mary Stuart não dormiu. Após organizar seu testamento e enviar cartas se despediu de seus criados e se preparou para sua execução. Nada falou sobre Elizabeth. Apenas silêncio sobre a rainha inglesa.

Mary foi finalmente executada em 8 de fevereiro de 1587 no Grande Salão do Castelo de Fotheringhay. De cabeça erguida ela subiu os degraus do cadafalso e foi decapitada com um três golpes. Para simbolizar o seu martírio pela fé católica ela usava um vestido de veludo carmesim escuro.

A rainha foi sepultada na Catedral de Peterborough e posteriormente seus restos mortais foram transferidos para Abadia de Westminster, onde descansam até hoje próximos ao corpo de Elizabeth I, que foi sucedida pelo filho de Maria.

Fontes:

ZWEIG, Stefan. Maria Stuart. 5° ed. Tradução de Lya Luft. Porto: Livraria Civilização, 1948.

HOUSTON, Rab A royal foxhunt: The abdication of Mary Queen of Scots. Disponível em: <https://blog.oup.com/2015/07/mary-queen-of-scots-vsi/>. Acesso em: 10. dez. 2019.

The Execution of Mary, Queen of Scots, 1587. Disponível em: <http://www.eyewitnesstohistory.com/maryqueenofscots.htm>. Acesso em: 11. dez. 2019.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

18 comentários em “A conturbada vida de Mary Stuart (1542-1589)

  1. Acredito que Maria Stuart morreu por ser católica e pelo catolicismo. Eu como católico praticante, espero também ter essa honra algum dia. Que Deus me dê força necessária pra isso. Gostei do texto.

    Curtir

    1. Olá Lenita, fiquei muito emocionada ao ler seu comentário. Fico feliz em saber que meu trabalho influencia positivamente as pessoas. Eu que agradeço o seu carinho. Você já conhece o meu Instagram? O @rainhasnahistoria. Lá eu posto textos inéditos quase todos os dias.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: