O trágico fim de uma rainha: a execução de Ana Bolena

Claire Foy como Ana Bolena na minissérie ‘Wolf Hall’. © BBC

Em 19 de maio de 1536 Ana Bolena (c. 1500-1536), segunda esposa do Rei Henrique VIII de Inglaterra (1491-1547), subiu ao patíbulo na Torre de Londres, Inglaterra, para cumprir a sentença que havia recebido em seu rápido julgamento: a decapitação. Foi um fim trágico, mas que lhe valeu um lugar estelar na história inglesa.

Ana Bolena se tornou rainha de Inglaterra em 1533, após Henrique VIII se divorciar de sua primeira esposa, a Infanta Catarina de Aragão (1485-2536), e quebrar relações com a Igreja Católica. Porém, a nova rainha não conseguiu cumprir a sua principal tarefa, segundo a visão da época: gerar um herdeiro varão. Sendo assim Ana acabou caindo em desgraça.

Em 2 de maio a soberana foi presa no Palácio de Greenwich, enquanto fazia uma refeição, e foi informada das acusações contra ela: adultério, incesto e conspiração para assassinar o rei. Ana recebeu a notícia com grande tranquilidade, como se já esperasse por aquilo, e foi então conduzida à Torre de Londres.

Após treze dias de confinamento na companhia de algumas mulheres, que informavam todos os seus movimentos ao Chanceler Thomas Cromwell (1485-1540), um dos principais articuladores de sua queda, Ana foi julgada por homens leais a seu marido no King’s Hall. A sentença foi unânime: ela deveria ser queimada ou decapitada. Henrique VIII acabou optando pela última opção num ato de misericórdia.

Finalmente em 19 de maio Ana Bolena cumpriu a sentença que recebeu. Se levarmos em conta o contexto dramático da situação é altamente provável a possibilidade de Ana ter tido problemas para dormir na noite anterior à sua execução. Quando William Kingston (1476-1540), o Condestável da Torre de Londres e responsável por sua segurança, foi aos seus aposentos pedir que ela se preparasse para a execução Ana já estava esperando por ele junto de suas damas.

Quando a hora marcada para a execução se aproximava Ana foi escoltada pelo pátio da torre até o andaime que havia sido construído dias antes com um semblante imperturbável. Ela estava acompanhada por quatro criadas enquanto seguia Kingston.

Cerca de mil pessoas estavam presentes no pátio da Torre de Londres para assistir a primeira rainha inglesa a ser decapitada. Ana subiu os degraus com passos firmes. Ela permaneceu digna e composta, segundo o testemunho dos telespectadores, e pediu a Kingston permissão para falar com o povo. Ana então pronunciou um breve discurso onde afirmava: “venho aqui apenas para morrer, e assim me entregar humildemente a vontade do rei“.

Após finalizar seu discurso Ana foi auxiliada por suas damas a tirar o chapéu que usava. De acordo com os relatos a rainha trajava um vestido de damasco preto e vermelho forrado com pele, usando um manto de arminho e um capelo inglês.

Logo depois Ana se despediu de suas damas e entregou ao carrasco Jean Rombaud o seu pagamento. Quando a ex-rainha finalmente se ajoelhou na palha para receber o golpe no pescoço ela murmurava: “Ó Cristo, receba meu espírito“, enquanto suas damas também ajoelhadas oravam.

Não sabemos se Ana foi vendada ou não, pois os relatos divergem sobre essa questão, mas sabemos que sua cabeça foi decapitada com um golpe limpo num momento de distração da rainha, que ao ouvir o grito do executor olhou para o lado oposto de onde a espada vinha. Tudo foi feito com o propósito de distraí-la.

Embora, fosse um costume a cabeça dos executados ser erguida no ar e exibida para a multidão não houve essa cena na execução de Ana Bolena. Seus restos mortais foram imediatamente cobertos por suas damas com um lenço branco em sinal de respeito. As mulheres também se ocuparam da limpeza do cadáver e o enrolaram num pano branco e foram responsáveis por ficar custodiando o mesmo por algumas horas após a sua execução, pois os preparativos para o enterro não haviam sido ordenados.

Quando finalmente tudo estava pronto o corpo e a cabeça foram depositados em uma arca vazia que havia sido improvisada por Henrique VIII e foram levados para a Capela Real de São Pedro ad Vincula, na própria Torre de Londres, onde foram enterrados. Ana Bolena foi depositada próxima do altar-mor, onde permanece até hoje.

Fontes:

FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento E Silva. 2ª ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.

Anne Boleyn’s Execution. Disponível em: <https://thetudorenthusiast.weebly.com/blog/anne-boleyns-execution>. Acesso em: 18. mai. 2020.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

2 comentários em “O trágico fim de uma rainha: a execução de Ana Bolena

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