Rani Lakshmibai, a rainha que lutou pela Independência da Índia (1828-1858)

Estátua de Rani Lakshmibai, em Agra, Índia. © Flickr

Rani Lakshmibai (1828-1858), Maharani de Jhansi, quebrou todas as regras patriarcais da sociedade indiana do século XIX durante sua curta vida. Após a morte do marido e do filho a monarca decidiu lutar contra os colonizadores britânicos e se tornou uma figura célebre entre seus compatriotas apesar de suas derrotas militares.

Primeiros anos e casamento

Rani Lakshmibai nasceu em 19 de novembro de 1828, na cidade de Varanasi, na Índia, no seio de uma família abastada. Seu pai, que era comandante militar, servia a Baji Rao II (1775-1851), Peshwa do Império Marata. Sua mãe era proveniente de Maharashtra e morreu quando Rani tinha 4 anos de idade. Originalmente Rani Lakshmibai se chamava Manikarnika Tambe.

Desde cedo Rani demonstrou ser uma mulher com gostos peculiares para a sua época. Apreciava a vida ao ar livre, a equitação, a prática de atirar com arco e fecha e a esgrima. As atitudes de Rani eram vistas com assombro pelos membros da corte, que não entendiam as suas inclinações pelos exercícios físicos.

Mesmo frustrado as expectativas cultuais de sua sociedade aos 14 anos de idade Rani foi considerada bonita e bem instruída o suficiente para se casar, em maio de 1842, com Gangadhar Rao (1797-1853), Marajá de Jhansi, em Uttar Pradesh, passando a se chamar pelo nome pela qual a conhecemos hoje: Rani Lakshmibai, em homenagem a deusa hindu Lakshmi, a esposa do deus Vishnu.

Em setembro de 1851, nove anos após o seu casamento, aos 23 anos, Rani deu à luz um menino chamado Damodhar Rao, que faleceu com apenas 4 meses de vida. Como a sua maharani não voltou a engravidar Gangadhar Rao decidiu adotar como seu sucessor Anand Rao (1846-1906), uma criança que era seu primo em segundo grau e que passou a se chamar Damodar Rao.

A criança foi nomeada sucessora do marajá em uma cerimônia de adoção diante das autoridades britânicas. Na ocasião o marajá, através de uma carta, solicitou que Damodar Rao fosse aceito como seu sucessor e Rani como sua regente. Porém, em 21 de novembro de 1853, quando o marajá morreu aos 56 anos, os britânicos não mantiveram a sua palavra e anexaram Jhansi aos seus domínios.

Relações com os britânicos

Rani, porém se recusou a aceitar a anexação. Todavia não houveram grandes conflitos entre as autoridades britânicas e indianas até o ano de 1857 quando teve início a Rebelião Indiana quando em junho deste ano um grupo de soldados indianos conhecidos como cipaios se rebelaram contra a coroa britânica. A chegada da rebelião as terras de Jhansi deixaram Rani numa posição difícil. Mesmo assim ela conseguiu convencer os rebeldes a depor as armas, mas não contava com o fato dos mesmos logo depois massacrem oficiais britânicos e suas famílias.

Até hoje não sabemos se Rani esteve envolvida no massacre, mas sabemos que os britânicos passaram a desconfiar de suas ações a partir de então. Para piorar a situação seguidamente Jhansi foi atacada pelas cidades de Orchha e Dutra. Para defender-se Rani solicitou auxílio aos britânicos, porém estes não lhe deram uma resposta. Sendo assim ela decidiu repelir a tentativa de invasão sozinha. Ela montou um arsenal para canhões e recrutou soldados. Em agosto de 1857 ela venceu os candidatos a invasores.

Assim que os britânicos tiveram notícias da vitória da maharani decidiram enviar tropas para proteger Jhansi, mas já era tarde demais. Quando o militar Hugh Rose (1801-1885), 1º Barão Strathnairn, sob o comando das forças britânicas chegou as muralhas da cidade Rani declarou que lutaria pela independência de suas terras. Cogita-se que ela tenha feito isso por influência de seus conselheiros, que eram a favor de uma política mais agressiva frente aos britânicos.

De qualquer maneira em 23 de março de 1858 teve início o cerco a cidade de Jhansi. No dia seguinte começou um severo bombardeiro as muralhas. Nem mesmo um exército de 20.000 homens comandado por Tatya Tope (1814-1859), um dos líderes da Rebelião Indiana, foi capaz de aliviar a pressão do cerco. Após atacarem os pontos fracos das muralhas os britânicos finalmente conseguiram penetrar na cidade.

Queda de Jhansi e morte

Durante a luta nem mesmo crianças e mulheres foram poupadas. Tentando salvar a sua vida Rani Lakshmibai deixou o palácio real quando o mesmo estava sendo tomado pelos inimigos e se refugiou no forte da cidade. Quando o mesmo também estava sendo atacado e a queda da cidade era iminente Rani tomou uma atitude lendária, pulando das muralhas da cidade com seu filho adotivo amarrado nas costas com um lenço.

Logo depois Rani se encontrou com Tatya Tope e foi para Kalpi, onde se juntou com mais rebeldes. Em 22 de maio os britânicos atacaram a cidade e venceram a maharani e seus aliados. Logo depois os rebeldes fugiram de Kalpi e foram para Gwalior, tomando o forte do local. Em 17 de junho os britânicos atacaram novamente causando a morte de Rani. Conta-se que ela morreu devido a um tiro, segundo outras versões ela se auto-imolou para não ser capturada. De qualquer maneira ela, foi cremada e suas cinzas foram depositadas embaixo de uma árvore em Phool Bagh.

Mesmo tendo sido derrotada em diversas batalhas pelos colonizadores britânicos Rani Lakshmibai é uma das figuras femininas mais lembradas da história recente da Índia, cujo a memória é motivo de culto para muitos indianos. Apesar de sua cidade ter sido conquistada e arrasada ela foi descrita por Hugh Rose como “a mais perigosa de todos os líderes indianos”.

Fontes:

Rani Lakshmibai of Jhansi: the heroic queen dubbed India’s ‘Joan of Arc’. Disponível em:<https://www.historyextra.com/period/victorian/manikarnika-who-was-rani-lakshmibai-how-did-she-die-hero-queen-jhansi-lakshmi-bai-east-india-company-bollywood/>. Acesso em 30. jun. 2020.

All about Rani Lakshmibai of Jhansi, the young queen who became an icon against the British Raj. Disponível em:<https://www.indiatoday.in/education-today/gk-current-affairs/story/know-all-about-rani-lakshmibai-of-jhansi-born-as-manikarnika-tambe-1316804-2018-08-17>. Acesso em 1. jul. 2020.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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