Professor afirma que Ricardo III pode ter assassinado ‘os Príncipes da Torre’

Ricardo III de Inglaterra, por artista anônimo, pintura do século XVI. “Os Príncipes da Torre”, pintura de John Everett Millais, 1878. © Wikimedia Commons


O envolvimento do Rei Ricardo III de Inglaterra em um dos mistérios mais notórios e emocionantes da história de seu país pode estar um passo mais perto de ser confirmado após um novo estudo.

O Ricardo III de Inglaterra há muito é considerado o responsável pelo assassinato de seus sobrinhos, o Rei Eduardo V de Inglaterra, e seu irmão, Ricardo de Shrewsbury, Duque de York – apelidados de “Os Príncipes da Torre” – em uma disputa sobre a sucessão ao trono.

A dupla de jovens foi mantida na Torre de Londres, mas desapareceu da vista do público em 1483, com Ricardo III assumindo a culpa após sua morte, dois anos depois.

A partir de então o caso tornou-se um dos mistérios não resolvidos mais duradouros de todos, alimentado por referências na peça de Wilkiam Shakespeare sobre o rei Yorkista, que foi condenado por monarcas subsequentes que estavam ansiosos para pintar seu predecessor como um monstro.


As evidências apontam para a culpa de Ricardo

Os defensores de Ricardo III apontaram a falta de evidências concretas para conectar o rei ao desaparecimento dos príncipes, que tinham apenas 12 e 9 anos de idade, quando Ricardo assumiu o trono inglês em junho de 1483.

Mas no estudo ‘Mais sobre um assassinato: as mortes dos “príncipes na torre” e implicações historiográficas para os regimes de Henrique VII e Henrique VIII’, publicado no Journal of the Historical Association, o professor Tim Thornton, da Universidade de
Huddersfield, afirma que agora há evidências claras para fundamentar as acusações contra os homens identificados como os assassinos dos meninos e uma maneira de conectá-los a Ricardo III.

O que levou Tim Thornton a chegar a essa conclusão foi o livro ‘História do Rei Ricardo III’, escrito por Sir Thomas More, que é o primeiro relato detalhado das mortes dos príncipes. More citou dois homens, Miles Forest e John Dighton, como os assassinos. More afirmou também que eles foram recrutados por Sir James Tyrell, um servo de Ricardo III por ordem do monarca.

Até agora, muitas pessoas questionaram essa história como tendo sido escrita muito tempo depois do evento, como ‘propaganda Tudor’ para denegrir o nome de um rei morto, e até sugeriram que os nomes dos supostos assassinos foram inventados por More, que foi um proeminente cortesão e chegou a atuar como conselho dos reis Henrique VII e Henrique VIII.

As conclusões de More eram confiáveis

Mas o professor Thornton acredita que More chegou à conclusão certa devido a algum conhecimento interno. Dois dos famosos políticos e colegas cortesãos do filósofo More eram filhos de Miles Forest, um dos homens que More citou como tendo matado os príncipes sufocados com travesseiros.

“Este tem sido o maior mistério de assassinato da história britânica, porque não podíamos realmente confiar em More como um relato do que aconteceu – até agora”, disse o professor Thornton. “Mas eu mostrei que os filhos do suposto principal assassino estavam na corte real de Henrique VIII e que viviam e trabalhavam com Sir Thomas More. Ele não estava escrevendo sobre pessoas imaginárias. Agora temos bases substanciais para acreditar que os detalhes do relato de More sobre um assassinato são confiáveis.”

O mais famoso mistério inglês e seu mais infame monarca

O mistério em torno dos Príncipes da Torre ressoou por séculos, sendo revivido na década de 1670, quando os ossos de dois meninos foram redescobertos na Torre de Londres, e novamente na década de 1930, quando os restos mortais, que haviam sido enterrados novamente na Abadia de Westminster, foram reexaminados cientificamente.

A descoberta do corpo de Ricardo III sob um estacionamento em Leicester em 2012 também reacendeu o interesse no polêmico monarca, com alguns historiadores questionando se ele merecia sua reputação negativa. E o recente anúncio de um novo filme sobre a redescoberta de Ricardo III, escrito por Steve Coogan e Stephen Frears, mostra que o interesse pelo polêmico monarca continua forte como sempre.

Leia o artigo de Tim Thornton, na íntegra, clicando aqui

Matéria traduzida e adaptada do site Science Daily e por Fernanda da Silva Flores

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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