Última carta de Maria Stuart foi selada usando um complexo sistema de segurança, dizem pesquisadores

Fotografia da última carta escrita por Maria Stuart antes de sua execução. Estátua de Maria Stuart em exposição no Castelo de Edimburgo, Escócia.

Em 1587, na véspera de sua execução, Maria Stuart escreveu uma última carta ao rei da França. Após recentes pesquisas estudiosos acreditam que ela usou uma técnica elaborada para garantir a segurança do documento.

Maria, Rainha dos Escoceses, usou um complicado processo de “letterlocking”, em tradução literal “bloqueio de letras, para esconder os segredos da última carta que ela escreveu antes de ser decapitada na Inglaterra, descobriram os pesquisadores do King’s College de Londres, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e da Universidade de Glasgow na Escócia.

As instituições de ensino e pesquisa fazem parte do grupo Unlocking History e têm explorado o processo histórico de “letterlocking”, no qual as cartas eram dobradas para se tornarem seus próprios envelopes, antes que os envelopes fossem inventados no século XIX.

“Pedi os meus papéis, que me tiraram, para fazer o meu testamento, mas não consegui recuperar nada que me fosse útil, nem mesmo obter licença para fazer o meu testamento livremente ou para ter o meu corpo transportado após minha morte, como eu desejaria, para seu reino, onde tive a honra de ser rainha, sua irmã e velha aliada ”, escreve Maria ao Rei Henrique III da França.

A última carta da rainha escocesa está atualmente guardada na Biblioteca Nacional da Escócia em Edimburgo.

A pesquisadora Jana Dambrogio, da Biblioteca do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, disse ao The Guardian: “A última carta de Maria é um documento de enorme importância nacional na Escócia e seu conteúdo é bem conhecido. Mas trabalhar com ela pessoalmente e descobrir seu bloqueio espiral exclusivo foi emocionante como pesquisadora […]”.

De fato, Maria usou um delicado processo de dobragem para lacrar a carta, garantindo que qualquer adulteração fosse imediatamente óbvia para o destinatário. Os pesquisadores da equipe internacional conseguiram ler uma carta não aberta escrita em 1697 sem quebrar seu lacre, usando raios X para ver o interior do documento, fatia por fatia, e criar uma imagem 3D.

Os pesquisadores também descobriram que a técnica da “fechadura em espiral”, foi usada por Elizabeth I, junto com políticos, embaixadores e um correspondente de Sir Francis Walsingham, o espião mestre de Elizabeth.

Os resultados da pesquisa foram publicados em 10 de dezembro de 2021 no Electronic British Library Journal: “O conteúdo da carta é poderoso e comovente: escrita na véspera de sua execução, ela atua não apenas como uma carta – um documento que deve ser enviado e lido por alguém à distância – mas também um testamento e uma prova de martírio. Diz-se às vezes que escrever a carta foi o último ato de Maria; na verdade, depois que ela escreveu, a carta teve de ser dobrada e fechada com segurança. Depois de escrever sua última mensagem, Maria usou o bloqueio de letras para prepará-la para entrega”.

O bloqueio em espiral requer mais de 30 etapas para ser concluído, uma mistura de dobras e fendas e, às vezes, adesivo, para evitar leituras indesejadas. É, dizem os pesquisadores, “uma técnica altamente intrincada que exigia tempo, paciência e grande habilidade: um movimento errado e seu mecanismo de travamento poderia quebrar e você teria que começar a carta novamente”.

“Letterlocking é uma das técnicas de comunicação mais importantes que o mundo já conheceu, mas sua história está apenas começando a aparecer”, disse o pesquisador Daniel Starza Smith ao The Guardian. “Por cerca de 600 anos, virtualmente todas as cartas eram enviadas com bloqueio de letras, antes da invenção do moderno envelope gomado no século 19 – era tão importante para a comunicação epistolar quanto a codificação por computador é para os e-mails hoje”

Ainda de acordo com Smith o estudo do letterlocking nos fornece informações valiosas sobre a preocupação das figuras históricas com a segurança da comunicação.


Abaixo segue-se um vídeo, onde é possível vermos o passa a passo do completo sistema de “letterlocking” ou “bloqueio de letras”.

Esta matéria foi traduzida e adaptada para a língua portuguesa por Fernanda da Silva Flores diretamente do The Guardian de maneira exclusiva para o Rainhas na História.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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