A morte de Isabel de Portugal

Isabel de Portugal, por Ticiano Vecellio, 1548. Carlos V (Álvaro Cervantes) e Isabel de Portugal (Blanca Suárez) em ‘Carlos, Rey Emperador’.

A vida e a morte de Isabel de Portugal está estreitamente ligada a biografia de Carlos V, seu consorte imperial. Carlos amou e respeitou Isabel profundamente, mas ao mesmo tempo a condenou a viver em solidão devido as suas constantes ausências, inclusive no momento da morte.

Quem foi Isabel de Portugal?

Isabel de Portugal nasceu em 24 de outubro de 1503. Isabel recebeu este nome em homenagem a sua avó materna, a Rainha Isabel I de Castela, chamada de ‘A Católica’, devido a sua grande devoção religiosa. Além disso, ela era filha de Dom Manuel I monarca que reinava durante a chegada dos portugueses ao Brasil em abril de 1500.

De acordo com a tradição a infanta portuguesa possuía um desejo inabalável de casar-se com seu primo, Carlos I da Espanha e V do Sacro Império. Isso se concretizou em 11 março de 1526 no Real Alcázar de Sevilla, nos aposentos atualmente conhecidos como Salão dos Embaixadores.

O casamento de Isabel com Carlos V duraria treze anos e foi relativamente feliz. Durante seu reinado como consorte ela também atuou como regente da Espanha devido as constantes ausências de Carlos por motivos bélicos e políticos que envolviam seus demais territórios.

Durante esse período Isabel também gerou seis filhos, mas não traria o último com vida ao mundo devido a sua própria morte.

Doença e morte

Isabel de Portugal faleceu em Toledo grávida de apenas três meses. Em 25 de abril, os médicos responsáveis por atender a imperatriz Francisco López de Villalobos e Miguel Zurita, também conhecido como Alfaro, escrevem a Carlos para informá-lo de que a imperatriz estava doente.

No dia 19 foi informado que ela sentia calafrios e sua febre subia durante a madrugada. Devido ao fato de a medicina ser precária no período Villalobos e Alfaro acreditaram que os sintomas apresentados pela paciente se deviam a gravidez, mas quando os mesmos persistiram ambos os atribuíram a uma crise de malária, também chamada na Espanha de fiebres tercianas.

O quadro clínico de Isabel esteve relativamente estável até o dia 22, quando a febre voltou a subir. Em 30 de abril Villalobos e Alfaro enviaram outra carta a Carlos V informando que as febres não reapareceram e a previsão era positiva. Todavia, Isabel morreria no dia seguinte.

Os historiadores especulam que tudo deve ter precipitado em questão de algumas horas. O aborto deve ter ocorrido no mesmo dia 30 e Isabel só resistiu mais algumas horas. Ela tinha apenas 34 anos.

Funeral e cadáver

Ao contrário do que é mostrado no seriado espanhol ‘Carlos, Rey Emperador’, emitido pela RTVE entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, a imperatriz Isabel não faleceu nos braços de Carlos V, que na ocasião estava caçando em Aranjuez.

Todavia, isso não tornou o golpe que a perda da imperatriz representou mais suave para Carlos V, que pelo fato de estar muito abalado optou por não acompanhar o funeral de Isabel até Granada. Ele preferiu se estabelecer no Monastério de Santa María de la Sisla, onde permaneceu em oração.

Cumprindo com uma das últimas vontades da esposa Carlos V ordenou que seu corpo não fosse embalsamado. Isso contribuiu para a rápida decomposição do cadáver de uma mulher que foi conhecida em vida por sua grande beleza e elegância.

Detalhe de ‘Conversão do duque de Gandia’, por José Moreno Carbonero, 1860. Arecriação da mesma cena em ‘Carlos, Rey Emperador’.

“Não posso jurar que esta seja a imperatriz, mas juro que é o cadáver dela que colocamos aqui”, disse Francisco de Borja, Duque de Gandía, que lidou a comitiva que transportou o corpo de Isabel de Portugal de Toledo até Capela Real de Granada, onde seu caixão foi depositado.

O filho mais velho de Isabel, o futuro Felipe II da Espanha, também participou da comitiva. Este, inclusive, foi seu primeiro ato público sozinho, mas coube a Francisco de Borja fazer o tradicional reconhecimento do cadáver antes de entregá-lo aos frades responsáveis pelo sepultamento.

Fontes:

MUÑOZ, Maria. Los médicos y las enfermedades de Isabel de Portugal. Disponível em: <https://www.redalyc.org/journal/5175/517569474035/html/&gt;. Acesso em 08. Mai. 2022.

QUIRÓS, Paloma G. ¿Por qué murió Isabel de Portugal? ¿En un parto?. Disponível em: <https://www.rtve.es/television/20151123/muerte-isabel-portugal-parto-bebe-prematuro-aborto-tercianas-malaria-paludismo-fiebre-carlos/1257360.shtml&gt;. Acesso em 08. Mai. 2022.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

2 comentários em “A morte de Isabel de Portugal

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